Bolsas retidas após o UFC 329: Paddy Pimblett, Holloway e Steveson perante a comissão
A comissão atlética do Nevada reteve as bolsas de três vencedores do UFC 329. O motivo nada tem a ver com os combates: Paddy Pimblett, Max Holloway e Gable Steveson subiram à grade para festejar. A regra que quebraram nasceu de uma noite de 2018 que nada teve de festejo. A audiência é na quarta-feira, em Las Vegas.
- Fight Hub
- 22 Agosto 2026
Ce qu'il faut retenir
- A NSAC reteve as bolsas de Paddy Pimblett, Max Holloway e Gable Steveson após as vitórias no UFC 329, a 11 de julho, em Las Vegas.
- O motivo é o mesmo para os três: sair ou escalar a grade no fim do combate, algo que a comissão proíbe desde que Khabib Nurmagomedov atacou Dillon Danis no UFC 229.
- O empresário de Pimblett ataca a regra publicamente. A audiência é na quarta-feira, 26 de agosto; o precedente de Diego Lopes terminou numa multa de 2500 dólares.
O que Paddy Pimblett, Holloway e Steveson fizeram
Três vitórias, três saltos por cima da grade
A 11 de julho, em Las Vegas, o UFC 329 deu três vencedores que festejaram da mesma maneira. Paddy Pimblett finalizou Benoit Saint Denis em 52 segundos e logo a seguir subiu à grade. Gable Steveson já tinha passado por cima de Elisha Ellison um pouco antes, no cartaz preliminar. E no combate principal, Max Holloway saiu do octógono depois de vencer Conor McGregor.
Nada disto tem relação com o que aconteceu durante os combates. Sem falta, sem problema antidopagem, sem resultado contestado. O que a comissão do Nevada lhes aponta cabe inteiro nos segundos que se seguiram ao sinal do árbitro.
Uma retenção, ainda não uma multa
A nuance conta. A NSAC não aplicou sanção: reteve as bolsas enquanto não decide. Os três vão comparecer perante a comissão na reunião mensal de Las Vegas, na quarta-feira, 26 de agosto, e é essa audiência que fixará o montante de uma eventual multa — ou libertará o dinheiro.
Os valores retidos não foram divulgados. Sabe-se apenas quanto custou um caso idêntico no passado.
Uma regra nascida de uma noite de 2018
O UFC 229 e a agressão a Dillon Danis
Proibir um lutador de sair da grade pode parecer picuinha. A origem da regra está longe disso. Em outubro de 2018, no UFC 229, Khabib Nurmagomedov escalou a grade depois de vencer Conor McGregor e atirou-se a Dillon Danis, companheiro do irlandês, no exterior. A noite acabou em pancadaria generalizada, com o pavilhão cheio e objetos atirados das bancadas.
Desde então o Nevada aplica o princípio sem exceções: acabado o combate, fica-se lá dentro. A regra não pesa a intenção. Não pergunta se o atleta queria agredir alguém ou saltar para os braços do treinador — proíbe o gesto em si, porque é o gesto que torna o incidente possível.
O que custou a Diego Lopes
O precedente útil é de abril de 2024. No UFC 300, Diego Lopes escalou a grade depois de vencer. A comissão reteve 5000 dólares de uma bolsa declarada de 100 mil e, após a audiência, multou-o em 2500. Metade do que fora retido, portanto, com o resto libertado.
É essa a ordem de grandeza a esperar na quarta-feira, admitindo que a comissão trate estes três processos como tratou aquele. Para lutadores de um cartaz numerado, a quantia é simbólica. E é precisamente por isso que o debate está noutro sítio.
Que fique claro, esta regra tem de mudar. […] Estamos em 2026. Um pouco de bom senso.
— Graham Boylan, empresário de Paddy Pimblett, ao MMA Junkie
A equipa de Pimblett ataca a própria regra
«Um pouco de bom senso»
Graham Boylan, empresário de Pimblett, não alegou atenuantes. Foi direto ao texto. Ao MMA Junkie afirmou: «Que fique claro, esta regra tem de mudar.» E fechou com a frase que resume a sua posição: «Estamos em 2026. Um pouco de bom senso.»
O argumento sustenta-se num ponto: entre um lutador que escala a grade para agredir um rival e outro que salta para os braços do seu canto há uma diferença que a regra ignora de propósito. O argumento contrário também se sustenta, e é mais difícil de afastar: uma comissão obrigada a julgar a intenção caso a caso, em direto, num pavilhão ao rubro, deixa de julgar seja o que for. A regra é bruta porque é mecânica, e é mecânica para poder ser aplicada.
O que se joga mesmo na quarta-feira
Pouco no plano financeiro, muito no plano do precedente. Se a NSAC alinhar os três processos pela tarifa Lopes, a regra sai reforçada e a discussão fecha-se. Se graduar os casos, ou se libertar as bolsas sem multa, abre a porta à ponderação da intenção — exatamente aquilo que o texto foi escrito para evitar.
Um pormenor a seguir: os três lutadores vêm do mesmo evento, o que dá à comissão a oportunidade rara de resolver três casos de uma vez, com o mesmo critério. Uma decisão conjunta valeria muito para além do UFC 329.
Seguir o dossiê com os números reais
Os registos completos de Paddy Pimblett, Max Holloway e Gable Steveson, as bolsas declaradas, os bónus e o histórico de sanções das comissões atléticas estão na aplicação FightHub. Descarrega-a para acompanhar o desfecho da audiência de quarta-feira e ver o que estes três processos mudam daqui para a frente.

