UFC Sacramento: Rodrigues travou 25 quedas e desfez a perna de Hernandez
Anthony Hernandez encabeçava o UFC Sacramento em casa, no sábado 22 de agosto, com tudo a seu favor: o ranking, os prognósticos e o seu público. Saiu do Golden 1 Center de muletas, derrotado nos três boletins por Gregory Rodrigues. O brasileiro travou 25 das 28 tentativas de queda, castigou a perna da frente até esta deixar de aguentar o peso e depois precisou de uma cadeira de rodas para acabar a noite. Foi assim que a surpresa se construiu.
- Fight Hub
- 23 Agosto 2026
O essencial
- Gregory Rodrigues venceu Anthony Hernandez por decisão unânime (48-47, 49-46, 48-47) no combate principal do UFC Sacramento, no sábado 22 de agosto, no Golden 1 Center.
- Hernandez tentou 28 quedas e concretizou apenas três, enquanto Rodrigues respondia com low kicks que o mandaram quatro vezes à lona.
- O combate principal arrecadou o bónus de Combate da Noite e ambos saíram lesionados: Rodrigues em cadeira de rodas e bota ortopédica, Hernandez de muletas.
Vinte e oito tentativas de queda, três concretizadas
O plano nunca foi segredo
Anthony Hernandez não veio disfarçado. É um lutador que afoga os adversários, tinha construído uma série de oito vitórias exatamente com isso, e todo o pavilhão sabia que o combate dependia de uma única pergunta: conseguiria pôr Gregory Rodrigues de costas? Tentou vinte e oito vezes. Conseguiu três.
Esse número diz tudo. Vinte e cinco quedas travadas em vinte e cinco minutos não são sorte nem um sprawl bem conseguido: são a marca de um homem que passou o estágio a preparar a única coisa que o adversário ia tentar. Rodrigues recebeu as entradas com as ancas, castigou as saídas e cobrou portagem a Hernandez sempre que este esticou os braços.
Depois tratou da perna
Travar um lutador é defender. Rodrigues queria mais. Logo no segundo assalto começou a martelar o gémeo e o efeito foi imediato: um low kick derrubou Hernandez e outro repetiu a dose. Rodrigues seguiu para montada completa depois da segunda queda e descarregou antes de Hernandez recuperar a posição.
À entrada dos assaltos de campeonato, a perna da frente já não respondia. Rodrigues voltou lá vezes sem conta, colocou um direito pesado e uma combinação longa no quarto, e voltou a derrubar Hernandez com outro low kick no quinto. Ao todo, só os pontapés mandaram o lutador da casa ao chão quatro vezes.
Hernandez não desapareceu
Dois juízes assinarem 48-47 não é acaso. Hernandez derrubou Rodrigues dez segundos depois do início do terceiro assalto, subiu-lhe às costas e trabalhou-o ali durante quase toda a retoma. Fechou também o segundo e o quarto com quedas suas. O canto disse-lhe que precisava de uma finalização no quinto, e essa foi a leitura mais honesta que alguém fez durante toda a noite.
O problema é que nunca conseguiu segurar o que conquistava. Rodrigues levantou-se sempre, e levantar-se bastava, porque era de pé que os low kicks viviam.
Ficaram com o bónus e perderam a noite
Uma cadeira de rodas para o vencedor
A imagem do pós-combate disse mais do que os boletins. Gregory Rodrigues apareceu em cadeira de rodas no programa seguinte, com o pé direito numa bota ortopédica, e teve de se esforçar para subir os três degraus até ao microfone da conferência de imprensa. Anthony Hernandez andava de muletas. Vinte e cinco minutos a bater na perna de um homem também cobram um preço, ao que se vê, a quem bate.
Dana White deu o bónus de Combate da Noite ao combate principal, que era a única decisão possível. Os bónus de Atuação da Noite foram para MarQuel Mederos, que parou Mason Jones no segundo assalto, e para Carli Judice, que finalizou Jeisla Chaves com um pontapé ao corpo em noventa e nove segundos.
Hernandez denuncia agarres à luva
Hernandez não encaixou a derrota em silêncio. Acusou Rodrigues de fazer batota, concretamente de lhe agarrar o interior das luvas, e garante que o assinalou ao árbitro Herb Dean cerca de quatro vezes durante o combate sem que nada fosse feito.
Convém dizer com clareza o que isto é e o que não é. É uma acusação feita pelo homem que acabou de perder uma decisão a cinco assaltos, poucos minutos depois do combate. À data deste artigo não há decisão de comissão, resultado anulado nem revisão pública. O agarre à luva é um problema real do desporto e cronicamente mal sancionado, e é também a memória mais cómoda do mundo depois de vinte e cinco minutos duros. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo.
O resto do cartaz não chegou ao fim
Abaixo do combate principal, a noite foi particularmente expedita. Reinier de Ridder parou Roman Dolidze com golpes aos 4:01 do primeiro assalto. Anthony Wint finalizou Terrance Chatman com um estrangulamento triângulo de braço aos 4:29 do primeiro. Vitor Petrino foi a exceção no co-principal, arrasando Serghei Spivac por 30-27 nos três boletins.
Dricus Du Plessis, onde estás? Quero-te a ti. Vamos a isto. Aspirante número um para lutar pelo cinturão.
— Gregory Rodrigues, na entrevista após o combate dentro do octógono
O que o UFC Sacramento muda nos médios
Rodrigues pediu o ex-campeão
Com o microfone na mão, Rodrigues não pediu um combate pelo título. Pediu um nome. Quer Dricus Du Plessis, e apresentou esse combate como aquele que decidiria o próximo aspirante, não como uma exigência de cinturão imediato.
É mais inteligente do que parece. Sean Strickland detém o título dos médios e Khamzat Chimaev é o seguinte óbvio na fila: a bicha à frente de Rodrigues já está ocupada por dois homens com um passado comum. Vencer um ex-campeão continua a ser o caminho mais curto para passar à frente, e Rodrigues chega com quatro vitórias seguidas e um registo de 21-6, invicto desde que Jared Cannonier o travou em fevereiro de 2025.
Hernandez paga uma segunda derrota seguida
Para Anthony Hernandez a aritmética é mais dura. Está 15-4, e a série de oito vitórias que fez dele um aspirante é agora seguida de dois desaires: o nocaute técnico frente a Sean Strickland em fevereiro e este. Tem 32 anos e uma divisão pela frente; sai de Sacramento com uma perna danificada e muito menos margem.
A leitura benevolente é que perdeu contra um mau estilo, numa noite em que a sua única arma foi neutralizada vinte e cinco vezes em vinte e oito, diante do seu próprio público, e ainda assim levou dois juízes até ao último assalto. Não é o perfil de um homem acabado. É o de um homem que precisa de outro tipo de adversário.
Confirma tu mesmo os números
Eficácia e defesa de queda, número de knockdowns e cartel completo de Gregory Rodrigues, de Anthony Hernandez e de todo o cartaz do UFC Sacramento estão na aplicação FightHub, atualizada depois de cada evento. Abre os dois perfis lado a lado: o combate principal já se percebe nas estatísticas de luta agarrada antes de leres uma linha sobre ele.
