Um regresso de Jon Jones? Gable Steveson diz que telefonou, e o cinturão vago devolveu-lhe a chama
Três dias depois de Tom Aspinall abdicar do título dos pesos pesados, a conversa sobre um regresso de Jon Jones passa a ter uma fonte com nome: Gable Steveson, que treina todos os dias ao lado de Jon Jones em Albuquerque. No media day do UFC 331, a 17 de setembro, contou que telefonou ao antigo campeão e que este se sentiu honrado com a ideia. Jones nada disse. É nessa distância, entre o telefonema de um parceiro de treino e um combate assinado, que está a história.
- Fight Hub
- 18 Setembro 2026
O essencial
- No media day do UFC 331, a 17 de setembro, Gable Steveson (4-0) afirmou ter telefonado a Jon Jones (28-1) e que este se sentia honrado com a possibilidade de regressar.
- O cinturão dos pesos pesados está livre: Tom Aspinall (15-3) abdicou dele a 14 de setembro, depois de um acidente no sparring voltar a danificar o olho direito, e Ciryl Gane (14-2) deve subir de campeão interino a campeão absoluto.
- Nada está fechado. Jones não falou, o UFC não anunciou qualquer combate e está retirado há cerca de quinze meses, ainda que continue no plantel.
O que Gable Steveson disse realmente sobre o regresso de Jon Jones
Um telefonema, contado em conferência
Steveson defronta Sean Sharaf a 19 de setembro, em Los Angeles, e passou o media day a responder sobre outra pessoa. A resposta é precisa quanto ao gesto e vaga quanto ao desfecho. Telefonou a Jones, e Jones ouviu.
Questionado dias antes pela RMC Sport Combat sobre a tentação do parceiro, formulava-o de outra maneira: “Penso que o Jon também gostaria de voltar. Ver o cinturão ficar livre talvez lhe acenda outra chama.”
Porque é que a palavra dele conta, e onde para
Steveson não é comentador de estúdio. Partilha o ginásio com Jones em Albuquerque e vê o trabalho. “O Jon é o meu parceiro de treino todos os dias em Albuquerque. Por isso, vi aquilo que ele ainda consegue fazer. Sei que consegue fazê-lo ao mais alto nível”, disse.
É testemunho em primeira mão e continua a ser em segunda mão no essencial. Um lutador que relata o estado de espírito de outro não faz um anúncio. Sem data, sem adversário, sem contrato e sem uma palavra do próprio. Steveson fez também questão de deixar uma mensagem a Aspinall: “Espero que o Tom recupere. Espero que o olho sare como deve e que talvez volte a entrar na jaula.”
Porque é que o cinturão livre muda as contas
Três dias que reabriram a divisão
A 14 de setembro, Aspinall abdicou do título indiscutível. Já tinha aceitado uma data e retomado o sparring quando um acidente voltou a danificar aquele olho direito, operado várias vezes. A última aparição foi no UFC 321, em Abu Dhabi, a 25 de outubro de 2025: um sem resultado no primeiro assalto contra Gane, depois de dedos nos olhos. Foi explícito ao dizer que não se retirava.
Gane, campeão interino desde que parou Alex Pereira em junho, deve ser promovido a campeão absoluto. Para um Jones de regresso, isso conta de forma muito concreta: já parou Gane no primeiro assalto para conquistar o título vago dos pesos pesados em 2023.
Um título congelado e o que o descongelou
Durante onze meses, uma divisão inteira esperou pela cura de um olho. A espera acabou, e o cinturão pode voltar a disputar-se em ritmo normal. Jones é o nome que mais ganha com um título sem dono, porque um atalho para um combate de campeonato é a única versão de regresso que encaixa num registo de 28-1 e em quem já nada tem para provar diante de candidatos.
Telefonei ao Jon hoje e, honestamente, ele sente-se honrado por ter a oportunidade de talvez voltar.
— Gable Steveson, no media day do UFC 331, a 17 de setembro
Os obstáculos que ninguém levantou ainda
Quinze meses, três controlos, nenhuma declaração
Jones parou por volta de junho de 2025 e nunca saiu do plantel. O Sherdog indica que passou por três controlos antidopagem em 2026, aquilo que o programa faz com quem não deixou formalmente o desporto. É um sinal, não um plano. Enquanto não falar e não existir acordo, o regresso é um rumor com um mensageiro credível.
Uma luta de legado em que já está metido
Motivação também não falta fora da jaula. Islam Makhachev (29-1), que acabou de defender pela primeira vez o título de meio-médio e de bater o recorde de vitórias consecutivas no UFC, passou a semana a contestar o valor do reinado de Jones por causa do historial antidopagem. “Mas a tua vida toda parece ligada, de uma forma ou de outra, a quebrar as regras e, de algum modo, nunca és tu o culpado”, escreveu Makhachev. Jones respondeu que os parceiros antidopagem da época trataram os seus positivos como involuntários e sem efeito no rendimento.
Esse debate olha para o passado. Um cinturão sem detentor olha para o presente, e é a única coisa que alguma vez fez Jones mudar de ideias.
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