Islam Makhachev pôs um número no fim da carreira: três
Dez dias depois de bater o recorde da série de vitórias mais longa da história do UFC, perguntaram a Islam Makhachev quanto tempo mais tenciona continuar. Não fugiu à questão. Já de regresso ao Daguestão, o campeão dos meio-médios respondeu que ainda tem pelo menos três combates difíceis pela frente antes de a reforma se tornar assunto. É uma frase curta com consequências grandes: transforma cada defesa que lhe resta numa contagem decrescente.
- Fight Hub
- 27 Agosto 2026
O essencial
- Islam Makhachev afirma que ainda tem pelo menos três combates muito difíceis antes de pensar na reforma, em declarações à imprensa no regresso ao Daguestão.
- Aponta Carlos Prates e Michael Morales entre os aspirantes que esperam, e Prates garante que o UFC lhe prometeu a próxima disputa de cinturão.
- As declarações surgem depois do UFC 330, a 15 de agosto em Filadélfia, onde Makhachev venceu Ian Machado Garry por decisão unânime na 17.ª vitória seguida, ultrapassando o recorde de Anderson Silva.
O número, e o que o provocou
Rogan fez a pergunta que estava na cabeça de todos
O tema não apareceu do nada. Depois de Makhachev vencer Ian Machado Garry no UFC 330, Joe Rogan lançou a ideia de que aquele seria um bom sítio para parar: recorde batido, duas divisões conquistadas, pouco de evidente por provar. Makhachev afastou a hipótese e depois, já no Daguestão e diante da imprensa, pôs um número concreto naquilo que lhe falta.
Pelo menos três. Não é uma digressão de despedida nem um «um dia» vago. É um mínimo anunciado, por um campeão que não costuma fazer teatro.
Porque um mínimo não é um plano de reforma
Lida com atenção, a frase faz duas coisas ao mesmo tempo. Mata a narrativa da reforma imediata, que era o que ele pretendia. E coloca, pela primeira vez, um horizonte contável sobre uma carreira que não tinha nenhum. Três combates ao ritmo dele são cerca de dois anos. Isso é um calendário, e um calendário levanta a questão de saber quem o preenche.
Convém, ainda assim, resistir à sobreinterpretação. Os lutadores revêem estes números constantemente, e um mínimo é a promessa mais fácil de cumprir. O que torna esta interessante não é o número em si, mas o facto de ter dado um, dez dias depois do melhor resultado da carreira.
Quem seriam os três de Islam Makhachev
A fila já se está a formar
Makhachev nomeou aqueles que vê à frente: Carlos Prates e Michael Morales. Nenhum é uma menção por delicadeza. Prates é o mais barulhento dos dois e garante que a organização lhe disse que a próxima disputa de cinturão é sua, pedindo a data de 14 de novembro no Madison Square Garden.
Essa última parte merece uma ressalva bem à vista: é o relato que Prates faz de uma conversa, não um combate anunciado pelo UFC. Nem a data nem o pavilhão estão confirmados. A distinção importa, porque uma disputa de cinturão reclamada e uma assinada comportam-se de maneira muito diferente quando o calendário aperta.
O obstáculo imediato é médico, não desportivo
Seja quem for o próximo, não será já. Makhachev saiu de Filadélfia com 30 dias de suspensão médica por uma contusão nas costelas, resíduo dos pontapés ao corpo de Garry num combate que o aspirante perdeu sem baixar os braços. Trinta dias não é uma lesão séria à escala deste desporto e não compromete uma data em novembro. É apenas o lembrete de que até uma vitória histórica cobra a sua fatura.
O que ganhou realmente no UFC 330
Vale a pena fixar a altura de onde parte esta contagem. A 15 de agosto, no Xfinity Mobile Arena, Makhachev venceu Ian Machado Garry nos três boletins para chegar a dezassete vitórias seguidas, ultrapassando as dezasseis que Anderson Silva encadeou entre 2006 e 2013. É a série mais longa da história da organização, construída em duas divisões.
Tenho pelo menos mais três combates espetaculares e muito difíceis à minha frente.
— Islam Makhachev, à imprensa no regresso ao Daguestão, citado pela Yahoo Sports
Duas discussões que o campeão trava a caminho da saída
Um desafio na luta lançado por quem percebe do assunto
Nem toda a gente ficou impressionada. Jordan Burroughs, ouro olímpico em 2012 e seis vezes campeão do mundo, viu a luta de Makhachev no UFC 330 e apresentou uma correção. Burroughs teve o cuidado de precisar que lutaria com Makhachev, não que combateria com ele, traçando a fronteira entre a luta do MMA e a verdadeira.
Makhachev, sem surpresa, não cedeu e disse que se limitaria a defender o duplo apoio. Daniel Cormier, com credibilidade nas duas salas, chamou louca a essa ideia. É uma discussão sem palco nem data, que é precisamente por isso que vai durar.
A polémica da bandeira, e onde aterra
A segunda disputa é mais áspera. No UFC 330, um elemento da equipa de Makhachev enrolou-lhe uma bandeira russa aos ombros durante a celebração. Merab Dvalishvili queixou-se, dizendo que a ele não o deixam levantar a bandeira georgiana depois das vitórias, e lembrando que a bandeira russa está afastada da maior parte do desporto internacional por causa da guerra na Ucrânia.
A resposta de Makhachev foi mandá-lo calar-se e apostar em Petr Yan para tratar disso por ele quando os dois se encontrarem na trilogia do UFC 333, a 24 de outubro em Abu Dhabi. Cada um disse o que tinha a dizer; a organização, essa, não expôs publicamente a sua própria regra.
Faz a contagem com os números
O cartel completo de Makhachev, a série combate a combate, os números de queda e de tempo de controlo, e os perfis de Carlos Prates e Michael Morales estão na aplicação FightHub, atualizada depois de cada evento. Se lhe restam mesmo três, é ali que se vão ver cair.
