Os cartões dos juízes do UFC 331 abriram o balanço da comissão da Califórnia depois do evento, e o seu director executivo disse que um deles não era possível. Os três juízes deram o combate a Joshua Van, pelo que o resultado não está em causa. O que está é um 50-45 num combate de título a cinco assaltos, e a mesma reunião pôs três mudanças de regra em cima da mesa.
O essencial
- No balanço da CSAC depois do UFC 331, o director executivo Andy Foster considerou impossível o cartão de Ron McCarthy, 50-45 para Joshua Van, apontando o quarto assalto.
- Os outros dois juízes deram 49-46 e 48-47, todos para Van, pelo que a decisão unânime em si nunca foi contestada.
- A mesma reunião levantou três propostas: tornar falta os pontapés laterais ao joelho, legalizar um péptido cicatrizante e substituir as categorias de falta intencional e não intencional por fortuita, imprudente e maliciosa.
O que diziam mesmo os cartões dos juízes do UFC 331
Três cartões, um vencedor, um fora de escala
Ron McCarthy pontuou 50-45 para Van, Sal D’Amato 49-46, Derek Cleary 48-47. Todos foram no mesmo sentido, e é por isso que o cinturão não mudou de mãos. É a distância entre um resultado sem apelo e um assalto de margem nos mesmos vinte e cinco minutos que trouxe o regulador ao microfone.
O assalto em causa
A objecção foi concreta: o quarto. A maioria via Van à frente até à queda de Pantoja, e Pantoja a levar o assalto depois. A posição de McCarthy, relatada a partir da reunião, foi que Van tinha golpeado mais antes da queda e trabalhado mais por baixo durante ela. D’Amato admitiu que o cartão não era descabido dada a trocação de Van. Foster não.
Um regulador a dizê-lo em voz alta
Segundo o relato de Aaron Bronsteter a partir do balanço, Foster contou que precisou de tempo para se acalmar antes de abrir a reunião, e que recebeu muitas mensagens furiosas por causa daquele cartão. As comissões costumam defender os seus oficiais em público e discutir em privado. Esta fez o contrário, e é aí que está o verdadeiramente invulgar.
As três mudanças de regra saídas da mesma sala
Os pontapés laterais ao joelho
A proposta é torná-los falta. Nasceu de um combate de peso médio do mesmo cartaz: Edmen Shahbazyan queixou-se ao árbitro dos pontapés laterais ao joelho de Brunno Ferreira, aparentemente sem saber que são permitidos. São: a técnica é proibida na maioria dos ginásios e tratada como golpe desleal no sparring, e permitida num combate profissional. Shahbazyan venceu esse duelo por decisão unânime.
Um péptido cicatrizante
O segundo ponto é legalizar um péptido usado para fechar cortes entre assaltos. É uma questão sobre o que um cutman pode levar na maleta, e pertence à mesma família do debate sobre concentrações de cloreto de adrenalina: pequena, técnica e decidida por reguladores e não pelo público.
Reescrever a classificação das faltas
A terceira é a de maior alcance: substituir a divisão actual entre intencional e não intencional por fortuita, imprudente e maliciosa. O sistema em vigor obriga um oficial a ler a mente de um lutador num instante e oferece duas gavetas para um espectro de comportamentos. Uma escala de três degraus, com a imprudência no meio, mudaria a punição de dedos no olho e golpes baixos, ou seja, quase todos os cartazes.
They should have deferred to the secondary criteria and value the control because there was not a lot of significant offence from either fighter.
— Andy Foster, director executivo da CSAC, no balanço do UFC 331, segundo Aaron Bronsteter
Porque vale a pena ler um balanço
Nada disto é ainda uma regra
São pontos de discussão de uma comissão estadual, não normas aprovadas. As regras unificadas mudam através da associação das comissões e depois estado a estado, o que demora anos e costuma começar exactamente assim: um director executivo a dizer uma coisa em voz alta depois de um evento que a tornou inevitável.
O problema da arbitragem não é da Califórnia
Um 50-45 e um 48-47 no mesmo combate não são um escândalo, são o sistema a funcionar como foi desenhado e a produzir uma amplitude que ninguém consegue defender em conjunto. O próprio remédio de Foster foi que os juízes deviam ter-se apoiado nos critérios secundários e valorizado o controlo, dada a pouca ofensiva significativa de ambos. É uma nota de trabalho aos seus oficiais, dada em público.
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