Sean Sharaf nocauteou um campeão olímpico em doze segundos, saiu com o maior cheque da vida e contou na conferência de imprensa que vai declarar falência na mesma. Os números explicam: antes do combate mostrou um painel de crédito com mais de 688 mil dólares em dívida, e o UFC 331 rendeu-lhe 160 mil.
O essencial
- Sean Sharaf parou Gable Steveson com um cruzado de esquerda aos doze segundos do combate de peso pesado no UFC 331, uma das maiores surpresas da história das odds do UFC.
- Recebeu 30 mil dólares de bolsa mais 30 mil de prémio de vitória, e Dana White anunciou um prémio de patrocinador de 50 mil que depois igualou do próprio bolso, 100 mil no total.
- Sharaf diz que vai declarar falência ainda este ano na mesma, depois de ter mostrado antes do combate uma captura com mais de 688 mil dólares em dívida.
O que Sean Sharaf ganhou mesmo na maior noite da carreira
A conta, linha a linha
Trinta mil dólares para se apresentar, trinta mil para vencer e cem mil de prémio depois de Dana White igualar do próprio bolso um cheque de patrocinador de cinquenta mil. São cento e sessenta mil dólares por doze segundos de trabalho, e é uma noite enorme para um pesado que há pouco tempo combatia em cartazes regionais.
E o número do outro lado
Antes do combate, Sharaf publicou uma captura do painel de crédito com mais de 688 mil dólares em dívida. Cem mil de prémio levam esse valor para cerca de 588 mil. A maior bolsa da vida dele não cobre um quinto do que deve, e disse sem rodeios na conferência que o pedido de falência vem este ano na mesma.
A parte do salário dos lutadores que o pay-per-view não mostra
Anos em que o desporto custa em vez de pagar
Sharaf descreveu o percurso em termos simples: no circuito regional não se é pago, apanha-se constantemente e ainda se segura um emprego a tempo inteiro. Não é uma queixa contra o UFC, é a descrição da década que vem antes do UFC, e é a parte de uma noite de revelação que nunca entra na emissão.
Uma dívida não quer saber do tamanho do nocaute
O que incomoda nesta história é que a exibição foi perfeita e as finanças quase não se mexeram. Sharaf fez tudo o que se espera de um lutador para mudar de vida numa noite: aceitou a oportunidade em cima da hora, venceu o grande favorito e fê-lo de forma tão espectacular que o promotor tirou dinheiro do próprio bolso. O saldo continua a dizer o que dizia na sexta-feira.
Aquilo por que diz combater
Questionado sobre o que significa o dinheiro, Sharaf não falou de carros nem de contratos. Disse que quer ajudar a mãe a reformar-se. É a frase a guardar de uma noite cheia de frases mais barulhentas, porque é a que explica porque é que alguém aceita um combate contra um campeão olímpico a dez para um.
Even once you get to the UFC, like bro, I'm about to file bankruptcy this year. I'm so far in debt, it's not even funny.
— Sean Sharaf, na conferência de imprensa depois do UFC 331
O que vem a seguir para ele
Uma vitória destas reescreve um calendário
Doze segundos frente a um nome desse tamanho compram a um lutador aquilo que o dinheiro não compra: posição. O peso pesado é uma divisão rala, premeia finalizadores, e Sharaf acaba de produzir o clipe mais repetido do fim de semana. O próximo combate valerá mais do que este antes mesmo de ele caminhar para o octógono, e é assim que a conta acaba por se inverter.
O problema é o tempo
Um lutador saudável sai duas ou três vezes por ano. Transformar uma noite de cento e sessenta mil dólares num valor que absorva seiscentos mil de dívida exige uma série, não um instante, e a série é precisamente o que a divisão dos pesados menos permite. É essa a pergunta real que paira sobre a melhor noite da carreira dele.
Seguir o peso pesado com números a sério
Os registos, as taxas de finalização, a actividade e as nossas próprias notas de cada lutador deste cartaz estão actualizados na aplicação FightHub. Descarregue-a para ver como fica o peso pesado depois do fim de semana que o reorganizou.
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