Muhammad Mokaev conquista um segundo cinturão fora do UFC e devolve a conta a Dana White
Muhammad Mokaev saiu de Istambul no domingo com o Grand Title do ACBJJ em 60 kg, ao fim de nove minutos de grappling decididos nos cartões. É o segundo título que ganha desde que o UFC o dispensou em 2024, ainda invicto. No dia seguinte publicou uma mensagem a identificar Dana White, e o argumento é bem mais difícil de despachar do que um desafio qualquer.
- Fight Hub
- 1 Setembro 2026
O essencial
- Mokaev venceu Moris Boleian por decisão unânime ao fim de nove minutos no ACBJJ 22, a 30 de agosto no ORA Arena, em Istambul, e arrecadou o Grand Title de 60 kg.
- É o segundo título desde que o UFC o dispensou em 2024 com um cartel de 12-0, depois do cinturão de peso-mosca do BRAVE CF conquistado com um pontapé à cabeça oito segundos após o início do segundo assalto.
- Está em 17-0 no MMA aos 26 anos, com cinco vitórias e quatro finalizações em dois anos, e reclama o regresso sem rodeios.
Muhammad Mokaev ganhou esta pelo caminho mais longo
Nove minutos e nenhum atalho
A finalização não apareceu. Mokaev passou os nove minutos inteiros em cima de Moris Boleian e venceu por decisão unânime o Grand Title do ACBJJ em 60 kg, a 30 de agosto no ORA Arena, em Istambul. Grappling julgado à pontuação não é a montra que costuma vender, e é precisamente por isso que o resultado interessa: acabou de ganhar um título numa modalidade em que a luta dele já não se esconde atrás de um nocaute.
O peso também conta. Competiu nos 60 kg, bem acima do limite de 57 kg que cumpre no MMA, e fê-lo diante de um especialista, no formato do especialista.
Um cartaz que o UFC podia ter montado
O ACBJJ 22 não foi uma noite discreta. O cabeça de cartaz foi Zabit Magomedsharipov, de volta ao fim de quase sete anos para bater à pontuação Youssef Zalal, classificado no peso-pena do UFC. O antigo campeão dos meios-médios Belal Muhammad finalizou Kerim Engizek com um mata-leão no mesmo evento, e Brendan Allen defendeu um título All-Stars do ACBJJ com uma chave de calcanhar.
O pormenor pesa. Mokaev não foi buscar um cinturão a um ginásio vazio. Foi buscá-lo numa noite em que campeões e candidatos do UFC, atuais e antigos, competiam ao lado dele, perante o mesmo público.
Um corte que nunca teve explicação limpa
12-0 e porta fora
Mokaev saiu do UFC em 2024 depois de vencer Manel Kape no UFC 304, um triunfo que o colocava em 12-0 e o deixava invicto dentro da organização. Corta-se um lutador em série de derrotas. Ser cortado invicto é raro que baste para o motivo se tornar a notícia, e o motivo apresentado em público tinha que ver com o trato, não com o cartel.
A frase que Mokaev agora devolve a Dana White é a versão dele daquilo que lhe terá sido dito: que fosse ser campeão noutro sítio. Deve ler-se como o relato de Mokaev e não como uma transcrição verificada. O que não se discute é o que ele fez com aquilo.
O que fez destes dois anos
No BRAVE CF 100, a 7 de novembro de 2025 no Barém, ganhou o título de peso-mosca com um pontapé à cabeça oito segundos após o início do segundo assalto, frente a Gerard Burns. Ficava em 15-0. Hoje está em 17-0, com cinco vitórias e quatro finalizações desde o corte, e tem 26 anos.
Junte-se o cinturão do ACBJJ e a conta é esta: dois títulos, em duas organizações, em duas modalidades, no tempo que a maioria dos dispensados leva a refazer uma única série. Fosse qual fosse o raciocínio do UFC em 2024, a metade desportiva envelheceu mal.
O Dana disse há dois anos: «ele pode ir ser campeão noutro sítio». Pois bem, tornei-me campeão do BRAVE CF. Tornei-me campeão de ACB jiu-jitsu. Ganhei cinco combates, quatro finalizações em dois anos, mantendo-me ocupado, mantendo-me ativo e mostrando ao mundo porque sou o melhor peso-mosca do mundo.
— Muhammad Mokaev, em mensagem publicada no X a 31 de agosto
O que um segundo cinturão fora do UFC lhe dá mesmo
Os rankings não viajam
Chega a parte incómoda. Nenhum destes títulos o mexe no ranking de peso-mosca do UFC, porque esse ranking só conta combates dentro de casa. Pode ser-se o mosca mais ativo e mais titulado fora da promotora e continuar, no papel, em lado nenhum. É contra essa parede que Mokaev argumenta, e nenhuma vitória lá fora a deita abaixo sozinha.
O que ganhar lá fora faz, isso sim, é retirar qualquer desculpa desportiva a quem não o queira voltar a assinar. Uma coisa é deixar no mercado um invicto promissor. Outra é lá deixar um campeão com dois cinturões que continua a finalizar e que o diz em voz alta.
A parte que depende dele
Tem 26 anos. Nunca perdeu. Combate com frequência, a única coisa impossível de fingir e aquela que os matchmakers olham a sério. Se o regresso chegar, chega porque se tornou a solução mais barata e mais óbvia para um buraco num cartaz, não porque uma publicação correu bem.
Cartéis completos, taxas de finalização e percursos de Muhammad Mokaev e de todos os lutadores citados estão na aplicação FightHub, atualizados à medida que saem os resultados. Descarregue-a e siga o peso-mosca dos dois lados do plantel do UFC, não só de um.
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